sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Veneziano: defesa imprópria no tempo e no conteúdo



Luigi Pirandello, escritor italiano, retrata no livro O Falecido Matial Pascal a fantástica história do homem – Matia Pascal – que, por uma confusão de corpos, acabou sendo decretado como morto pra cidade onde vivia.

Diante da situação, no lugar de desfazer o mal entendido, o protagonista deixou-se levar pela história e sumiu do mapa, fugindo da sogra ranzinza, da esposa insuportável e, principalmente, das dívidas que o atormentavam.

Da ficção pra vida real, o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego, corrigindo as pequenas diferenças, deveria seguir o exemplo.

Quanto mais se esforça pra se manter vivo e defender-se de acusações de que deixou dívidas astronômicas, que não pagou parte dos servidores, que deu calote em fornecedores e deixou Campina Grande suja, mais revela sua fragilidade.

Ao dizer que deixou dinheiro em caixa, não consegue fugir da pergunta: “ E por que não usou pra pagar o que devia?”. Aliás, em sua própria defesa, Veneziano não tem como deixar de admitir que deixou dívidas pra outra gestão pagar.

Independentemente de que está com a razão, o fato é que Veneziano não tem como se contrapor à realidade. O prefeito é Romero Rodrigues. É ele que tem hoje o poder de dizer, sentado sobre os dados da prefeitura, quem fez ou o que deixou de fazer pela prefeitura. E é Romero que está dizendo que Veneziano deixou um rombo de R$ 13 milhões pra pagar pessoal e mais R$ 100 milhões pra serviços.

E mais. Ainda vence o debate da mídia, já que os sistemas de comunicação estarão mais propensos a ouvir o prefeito que entrou do que o prefeito que saiu.

Além do mais, não será o disse-me-disse entre Romero e Veneziano que vai pautar o debate sobre os débitos deixados em Campina Grande. São os próprios credores. Ora, no momento em que Veneziano diz que saiu sem dever a ninguém e os servidores de Campina Grande vão às ruas dizer que não receberam, sua tese cai por terra, por mais vocábulos herméticos que o ex-prefeito semântico apresente.  Por mais que diga que deixou dinheiro em caixa, Veneziano não pode escapar dos fornecedores da prefeitura dizendo em todo lugar que foram à prefeitura durante todo dia de dezembro e só recebiam “não tem dinheiro pra pagar” como resposta. Enfim, não é Romero Rodrigues que Veneziano tem que contestar, mas milhares de servidores e fornecedores da cidade.

Se não pode, melhor fazer como Matia Pascal, e fingir-se de morto. Lá na frente, quando Romero Rodrigues já tiver por si só seus problemas de gestão, intrínseco a todos eles, Veneziano pode voltar comparando as gestões. Agora, é uma briga injusta. Onde Romero, pelo tempo, não tem defeito algum. E Veneziano tem todos os defeitos do mundo.

Ao querer se antecipar a explicações, Veneziano deixa claro seu desespero por manter uma boa imagem pra 2014. Deveria gastar mais tempo e energia se preparando para defesas junto ao Tribunal de Contas do Estado. Afinal, como o próprio Matial Pascal na obra de Pirandello, Veneziano vai ter que voltar um dia pra sua cidade.
Luís Tôrres

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